Na edição anterior falamos sobre o problema de um assistente que responde, mas não acompanha o fio da conversa.
Agora vamos ver como evitar isso. Não é algo que você precise fazer: estou te mostrando uma parte do meu trabalho para que você possa formar critério na hora de decidir sobre o tema.
Primeira regra: uma coisa de cada vez
Se treinamos o assistente com textos que:
- explicam
- perguntam
- exemplificam
- vendem
- alertam
tudo misturado… não dá para esperar respostas claras.
A informação precisa de ordem. E uma boa prática começa organizando:
- o que é informação firme
- o que é contexto
- o que é apenas uma forma de falar com o cliente
Se tudo fica no mesmo nível, o assistente não sabe o que usar primeiro. (Isso certamente acontece com outras coisas também.)
Segunda regra: cuidado com as perguntas internas
Muitos textos empresariais incluem perguntas do tipo:
- “Você sabia que…?”
- “O que acontece se…?”
- “Quais são os benefícios de…?”
Funcionam bem em um folheto ou em um treinamento; mas funcionam mal dentro da IA do assistente. Por quê? Porque ele pode tentar responder essas perguntas, mesmo quando o cliente perguntou outra coisa.
O resultado costuma ser:
- ele se perde no caminho
- repete explicações
- muda o foco
Quando uma pergunta não acrescenta informação nova, vale reformulá-la como afirmação.
Terceira regra: definir o papel de cada texto
Antes de carregar conteúdo, vale fazer esta pergunta:
Isso está aqui para informar, orientar ou dar estilo?
Porque, se isso não estiver claro para você, também não estará para o assistente.
Um texto que serve apenas para marcar tom não deveria competir com outro que contém dados-chave. Um exemplo não deveria ter o mesmo peso que uma regra. Essa organização interna é o que faz a resposta sair limpa.
Quarta regra: menos pode ser melhor
Não se trata de carregar “tudo, só por precaução”.
Cada texto que adicionamos traz contexto — mas também traz ruído.
Um assistente eficaz não é o que sabe mais, e sim o que sabe o que usar em cada momento.
O resultado de fazer direito
Quando o conteúdo está bem preparado:
- o assistente vai direto ao ponto
- não repete o óbvio
- não muda de assunto
- e acompanha a conversa em vez de atrapalhá-la
No fim, não é que a IA tenha ficado mais inteligente: é que nós a deixamos melhor educada.
E isso é valor para o seu negócio.
Epílogo com bastidores
Na prática, essas regras nem sempre são aplicadas. Às vezes porque o cliente não tem tempo ou energia para revisar e adaptar seu material; outras, porque é mais fácil seguir em frente sem pedir ajustes e confiar que “mais ou menos funcione”. O resultado costuma ser um assistente que responde, mas não chega a acompanhar a conversa. Parte do meu trabalho é assumir essa responsabilidade: entender o conteúdo como ele existe, organizá-lo e prepará-lo para que o assistente o use bem — sem transferir essa carga para o cliente nem fingir que as regras não importam.